O estado viabilizou um procedimento neurocirúrgico de alta complexidade em um paciente de 15 anos, do Sistema Único de Saúde para garantir o tratamento.
Ele é morador de uma comunidade do município paraense de Afuá. A cirurgia para correção de uma má-formação em artérias do cérebro foi feita no Centro de Hemodinâmica do Hospital Marco Zero, conveniada à Secretaria de Estado da Saúde.
O procedimento foi possível por uma parceria público-privada e é a segunda intervenção desse tipo feita no estado, enquanto se avança no processo de contratação definitiva do serviço junto à rede hospitalar local.
O neurocirurgião Wanderson Dias, responsável pelo procedimento, explicou que a má-formação arteriovenosa cerebral é uma doença rara e congênita, presente desde o nascimento, e pode causar sangramentos ao longo da vida.

“Esse paciente sofreu um sangramento cerebral grave e foi submetido a um exame chamado angiografia cerebral, que só é feito em locais com serviço de hemodinâmica. Nesse ambiente, conseguimos tratar o problema com um procedimento minimamente invasivo, feito por cateterismo, já que a cirurgia aberta não era indicada por se tratar de uma má-formação profunda”, detalhou o médico.
Segundo a secretária da Sesa, Nair Mota, a consolidação desse tipo de atendimento no Amapá representa um avanço histórico para a rede estadual.

“Antes, esses pacientes precisavam ser encaminhados para fora do estado e muitos aguardavam meses ou até anos por uma vaga, o que aumentava o risco de óbito. Hoje, com a cooperação entre o Estado e o hospital conveniado, já conseguimos fazer esse tratamento aqui, pelo SUS, garantindo mais agilidade e segurança”, explicou.
Para a mãe do paciente, Roseli Almeida, a cirurgia simboliza um recomeço e a renovação da esperança. Ela conta que ficou surpresa não apenas com a rapidez do atendimento, mas também com o acolhimento recebido pelo filho desde o início da investigação clínica até a realização do procedimento.

“Foi tudo muito difícil no começo, mas fomos acolhidos em cada etapa. Não imaginávamos que o processo seria tão rápido. Ele fez o exame no início de dezembro e agora, em janeiro, já conseguiu fazer a cirurgia. Só tenho gratidão por todo o cuidado, respeito e atenção que deram ao meu filho e à nossa família”, relatou.
De acordo com Roseli, os primeiros sintomas surgiram há cerca de seis meses, quando o adolescente passou a sentir fortes dores de cabeça e episódios recorrentes de vômito. Após avaliação médica especializada, foi identificado um sangramento cerebral grave, tornando necessária a realização do procedimento, considerado essencial para preservar a vida e evitar novas complicações.
O jovem passa bem após a cirurgia e permanecerá em observação na UTI pediátrica do Hospital da Criança e do Adolescente, acompanhado por equipe especializada até a recuperação completa e a alta médica.



